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O  mito de Prosérpina

Prosérpina, Perséfone para os Gregos, era filha de Ceres, a deusa dos campos, protectora das colheitas. Um dia, enquanto a jovem colhia flores com algumas companheiras, Plutão, enamorado da sua beleza, raptou-a e levou-a consigo para o seu reino subterrâneo.

A mãe procura-a por toda a parte e, não a encontrando, refugia-se na sua tristeza, que se reflecte na terra, transformando num deserto gelado prados outrora fecundos e verdejantes.

Algum tempo depois, perante a ameaça que tal situação representava para os mortais, Júpiter resolve interceder junto do seu irmão, rei dos Infernos, enviando até ele Mercúrio, que consegue estabelecer um acordo: Prosérpina passará metade do ano junto de seu marido, nos Infernos, e metade, na terra, com a mãe.

É assim que, enquanto Prosérpina está com a mãe, os campos se tornam, de novo, férteis, os prados florescem e as árvores se enchem de frutos. Quando Prosérpina desce aos Infernos, a terra cobre-se de luto, até que a jovem regresse outra vez e tudo se renove. É a Primavera em oposição ao Inverno, simbolizando, deste modo, a constante renovação da Natureza.

 

Proserpinae  raptus

Inferorum deus Proserpinam, pulchram puellam in silua uidet et amat. Itaque eam a deorum domino petit.

Iuppiter, tamen, deo conubium (casamento) negat.

Proserpina in Sicilia habitabat.

Olim, dum prope Aetnam1 cum Diana, Minerua et Cypria2 dea flores legebat, Pluto Proserpinam rapit (rapta).

Ceres quia filiam non reperit ( encontra) tristissima est. Postea eam a deo impetrat.

Tum Proserpina dimidium (metade) anni in terra est, dimidium in Inferis.

Vbi puella in terra habitat, dea Ceres beata est et agri frumento rosisque pleni3 sunt. Cuncta natura laeta est.

Vbi Proserpina apud maritum est, Ceres, frumenti dea, tristissima, lacrimas effundit4. Terra nuda est, frumentum et rosas humanis iam non praebet.

 

Notas:

1 Aetna: monte Etna, na Sicília, onde se situa um vulcão ainda hoje em actividade;

2 dea Cypria : Vénus, assim chamada por se dizer ter nascido na ilha de Chipre;

3 frumento rosisque pleni: cheios de trigo e de rosas;

4 lacrimas effundit : derrama lágrimas ; desfaz-se em lágrimas.

Vocabulário:

dum ( conjunção temporal) : enquanto

quia ( conjunção causal): porque

postea ( advérbio de tempo): depois, mais tarde

itaque : e assim

tamen (conj.): contudo

olim (adv.): um dia

prope (preposição que rege acusativo): junto de

tum ( advérbio de tempo): então

cuncta ( adjectivo feminino): toda

laeta ( adjectivo feminino): alegre

impetro, as, are: obter, conseguir

praebeo, es, ere : dar

peto, is, ere : pedir

lego, is, ere : colher

 

QUESTÕES DE GRAMÁTICA:

Em latim, para além do género masculino e feminino, temos o género neutro

 

A 2ª declinação — síntese

— Tem o genitivo do singular em – i

— O nominativo termina em – us ou em – er (- ir) — nomes, geralmente, masculinos

—    O nominativo termina em – um — nomes do género neutro

Assim:

discipulus, discipuli : aluno, discípulo

dominus, domini : senhor

ager, agri : campo

puer, pueri : rapaz, criança

uir, uiri : homem (varão)

 

 

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publicado às 16:46


Mensagens


5 comentários

De Miguel a 05.05.2014 às 22:11

Eu de novo. Tenho algumas perguntas. 1ª: De quem é o texto em latim? Teu ou dum autor clássico? 2ª: Que ocorreu com o gênero neutro em porguês? 3ª: Não o há na 1ª declinação? 4ª: Como saberei a forma de declinar as palavras em -er?

Obrigado pela atenção!!

De isa a 05.05.2014 às 22:51

1. O texto latino, com as notas, bem como a introdução em português são da minha autoria. Vêm no manual que já aqui indiquei — Noua Itinera , em coautoria com outra colega. O que fizemos foi contar a história em linguagem simples, para um nível de iniciação à língua latina. Claro que nos baseámos nos escritores latinos e, para as fábulas, especialmente Higino.
2. Em português temos alguns resquícios do género neutro latino. Por exemplo os pronomes ISSO, ISTO, AQUILO. Também nos ficou em palavras, em português do género feminino, mas que derivaram do neutro latino. É o caso, por exemplo, de AGENDA, literalmente "as coisas que devem ser feitas", que tem como étimo um neutro do plural.
3. Na 1ª declinação não há género neutro. Os nomes de tema em - a são, geralmente, do género feminino, com algumas excepções de palavras que pertencem ao género masculino, como NAUTA "marinheiro", POETA "poeta", e outros nomes de profissões atribuídas ao homem.
4. As palavras com o nominativo em - er declinam-se como qualquer outra palavra da 2ª declinação. O nominativo é diferente e o vocativo é igual ao nominativo. Ao enunciarmos um nome, dizemos o nominativo e o genitivo e, através do genitivo ficamos a conhecer o radical da palavra, a parte fixa à qual se juntam as terminações dos diferentes casos. Assim, quando enunciamos AGER, AGRI, percebemos que o radical é AGR- e que no nominativo o R desenvolveu uma vogal de apoio, daí AGER. Pelo contrário, quando vemos uma palavra como PUER, PUERI, vemos que a sequência vocálica coloca o radical numa posição diferente da anterior; portanto é a PUER- que vamos acrescentar as terminações dos outros casos. Convém notar que os nomes em - er são poucos, o comum nos nomes masculinos da 2ª declinação é o nominativo em - us

De Anónimo a 06.05.2014 às 16:47

Porém saber se o "E" será ou não preservado, só conhecendo mesmo a palavra?

De isa a 14.05.2014 às 23:53

Ao ver a palavra enunciada, nominativo e genitivo, vê logo se o E só aparece no nominativo ou se também está no genitivo. Assim: em AGER, AGRI, ao tirar a terminação do genitivo, fica AGR- , uma sequência de 2 consoantes, por isso, ao formar o nominativo, o R desenvolveu uma vogal de apoio; mas, é a partir do radical AGR- que vamos formar todos os outros casos, juntando aqui as terminações. Pelo contrário, quando vê o enunciado PUER, PUERI, vê que o E faz parte do radical, não há, como no anterior uma sequência de 2 consoantes; o nominativo é PUER (radical, sem vogal temática) e é a esse radical que depois se juntam as terminações dos casos .

De PXNtCbUVkkG a 17.12.2014 às 03:18

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