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LATIM PARA AMADORES

Este é um caderno de notas, de apontamentos — vamos aprender latim. É um curso para amadores — amadores no sentido etimológico do termo: "amador" é "aquele que ama", aquele que ama a língua latina e quer aprendê-la.

LATIM PARA AMADORES

Este é um caderno de notas, de apontamentos — vamos aprender latim. É um curso para amadores — amadores no sentido etimológico do termo: "amador" é "aquele que ama", aquele que ama a língua latina e quer aprendê-la.

Interuallum

Eu gosto de café! (literalmente "o café agrada-me")

 

potio: bebida  — cf. português: poção

 

Do latim ao português:

Na passagem para o português, a sequência -ti- dá em português c / ci 

Exemplos: 

latim:  initium — português:  início

latim:  initiare — português:  iniciar

latim:  spatium — português:  espaço

latim:  uitium /vitium — português: cio

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3ª lição — documentum tertium

Ecce Flora!

1. Flora dea erat: Flora era uma deusa.

2. Puella amat deam Floram: a rapariga ama a deusa Flora.

3. Pictura pulchra est: a pintura é bonita.

4. In pictura deam Floram uideo: na gravura (pintura) vejo a deusa Flora.

5. In pictura deam Floram uidemus: na gravura vemos a deusa Flora.

 

Observemos: 

a) Frase 1: frase nominal — sujeito - Flora +  predicado nominal (verbo+predicativo do sujeito) - dea erat; erat: pela semelhança com o português, vemos que se trata do pretérito imperfeito do modo indicativo - 3ª pessoa do singular (desinência - t )

b) Frase 2 constituída por : sujeito - puella-  + predicado (verbo+complemento directo)- amat deam Floram

c) Frase 3: semelhante à 1

d) Frases 4 e 5: o sujeito não está expresso, está incluído na terminação da forma verbal — uideo: 1ª pessoa do singular (eu); uidemus: 1ª pessoa do plural (nós) ; in pictura — indica o lugar (onde): in é uma preposição; pictura — trata-se de um outro caso latino, o ABLATIVO.

 

CASOS:

NOMINATIVO — caso do sujeito e do predicativo do sujeito — nos nomes femininos das frases anteriores termina em - a

ACUSATIVO — caso do complemento directo — nos nomes femininos das frases anteriores termina em - am

ABLATIVO — caso de alguns complementos circunstanciais — nos nomes femininos anteriores termina em - a

 

LER - COMPREENDER — TRADUZIR

Roma est in Italia. Italia est in Europa; non est insula, sed paeninsula, longa, non lata. Italia est terra magna et bona. Pulchra quoque (também) est. 

Roma noua est in Italia antiqua. In Europa magna est. 

Lusitania est in Europa. Lusitania est in paeninsula hispanica. In Lusitania habito et patriam meam amo. Lusitania est terra parua (pequena) sed pulchra.

 

Do latim ao português:

insula: ilha — daí: insular,insularidadepenínsula (paene 'quase' + insula 'ilha'), ínsua

uideo /video : eu vejo — daí vídeo, vidente,...

 

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2ª lição (continuação)

Então:

—  Se o nome desempenha a função de sujeito, está no nominativo — nos nomes femininos que vimos termina em – a

—  Se o nome desempenha a função de complemento directo, está no acusativo — nos nomes femininos que vimos termina em – am

 

Nominativo e Acusativo são CASOS — chamam-se assim as diferentes terminações das palavras, de acordo com a sua função sintáctica.

 

Nominativo — caso do SUJEITO e do PREDICATIVO DO SUJEITO (que concorda com o sujeito)

Acusativo — caso do COMPLEMENTO DIRECTO

 

Frases simples:

  1. Vitam amo : eu amo a vida.
  2. Vita pulchra est: a vida é bela.
  3. Pulchram uitam amo: amo a vida bela.
  4. Habeo pulchram uillam: tenho uma bonita casa de campo.
  5. Villa mea pulchra est: a minha casa de campo é bonita.
  6. Femina lusitana pulchra est: a mulher portuguesa é bonita.
  7. Lusitania pulchra  est: a Lusitânia (Portugal) é linda.
  8. Historia magistra uitae est: a história é mestra da vida.

 

 

insula pulcherrima: uma ilha muito bonita

    pulcherrima é o superlativo de pulchra 

2ª lição — Documentum secundum

Vejamos as frases:

 

1. Linguam latinam amo / amo linguam latinam : eu amo a língua latina ou eu gosto da língua latina

2. Linguam latinam disco : eu aprendo (eu estudo) a língua latina

3. Lingua latina pulchra est : a língua latina é bonita

 

Estas são três frases simples.

— O que concluímos com a sua análise e tendo em conta a tradução:

 

a) a frase 1 e a frase 2 são constituídas por verbo + complemento directo (o sujeito está implícito na terminação da forma verbal);

b) a frase 3 é constituída por sujeito + predicado nominal (verbo copulativo + predicativo do sujeito);

c) nas frases 1 e 2 não temos um sujeito expresso — a terminação da forma verbal diz-nos que se trata da 1ª pessoa do singular (eu);

d) o verbo vem no fim da oração.

 

— Se atentarmos nas frases 1 e 2, vemos que a expressão que foi traduzida por língua latina, corresponde, em latim a linguam latinam;

— Olhando para a frase 3, vemos que, para a mesma tradução, a expressão latina é lingua latina

 

Porquê esta diferença?

— Como vimos, a expressão desempenha funções diferentes na frase:

— em 1 e 2, linguam latinam é o complemento directo;

— em 3, lingua latina é o sujeito.

 

Concluindo:

 

— o latim é uma língua declinável, isto é, os nomes apresentam diferentes terminações, de acordo com a função sintáctica que desempenham na frase

 

Assim:

 

— nas frases 1 e 2, linguam latinam desempenha a função de complemento directo, por isso estas palavras têm a terminação – am — estão no ACUSATIVO

— na frase 3, lingua latina desempenha a função de sujeito, por isso estas palavras terminam em – a — estão no NOMINATIVO

 

—As formas verbais — amo e disco — estão na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo — que, tal como em português, termina em – o

 

Outros exemplos:

 

disco : eu aprendo

doceo: eu ensino

lego: eu leio

dico: eu digo

ambulo: eu caminho

habito: eu habito, eu moro

scribo: eu escrevo

uenio: eu venho

*********************

Os poetas latinos:

Odi et amo. Quare id faciam fortasse requiris.

Nescio. Sed fieri sentio, et excrucior.

Tradução:

Odeio e amo. Por que o faço, perguntas, talvez.

Não sei. Mas sinto que isso acontece, e atormento-me. 

Catulo, poeta do século I a. C.

 

Do latim ao português:

nescio: não sei — da mesma raiz deste verbo temos o adjectivo português néscio "aquele que não sabe", "ignorante

 

1ª Lição — Documentum primum

Na página inicial, saudámos o visitante, cada um, individualmente, ou todos, omnes:

 

Salue — saudação a uma só pessoa — corresponde a um "bom dia", "viva"; Saluete — dirige-se a várias pessoas ao mesmo tempo.

 

É uma forma de saudação, mas, na realidade, são formas verbais. Trata-se do imperativo do verbo que significa "estar de boa saúde", "estar bem", sendo salue a 2ª pessoa do singular e saluete a 2ª pessoa do plural.

 

Pode também aparecer com a grafia salve e salvete.

 

Porquê estas duas grafias?

 

No latim clássico não existia a letra v — mas sim a semi-vogal u, que podia ter valor vocálico ou valor consonântico (quando maiúscula tem a forma V, que vemos nas inscrições), só mais tarde se fez a distinção gráfica entre as duas situações.

 

É esta forma — Salve — que, no catolicismo,  temos na oração à Virgem, Salve Rainha.

 

— Com o mesmo valor, saudando aquele que chega, a forma aue / ave,  que todos conhecem da saudação ao imperador "AVE CAESAR!"

 

— Também na oração católica temos a  Ave Maria, a saudação à Virgem.

— Na saudação popular, a cair em desuso, temos a expressão "Deus te salve!"

 

Discamus linguam latinam : estudemos a língua latina.