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LATIM PARA AMADORES

Este é um caderno de notas, de apontamentos — vamos aprender latim. É um curso para amadores — amadores no sentido etimológico do termo: "amador" é "aquele que ama", aquele que ama a língua latina e quer aprendê-la.

LATIM PARA AMADORES

Este é um caderno de notas, de apontamentos — vamos aprender latim. É um curso para amadores — amadores no sentido etimológico do termo: "amador" é "aquele que ama", aquele que ama a língua latina e quer aprendê-la.

Interuallum - 2

Algumas frases práticas 

Saudar alguém, cumprimentar:

Quomodo uales?  — Como estás?

Quomodo ualetis? —(plural) Como estais (como estão vocês) ?

ou

Vt ualeas?

Vt ualeatis?

 

Resposta:

Valeo bene, gratias. — Estou bem, obrigada.

Et tu, quomodo uales? — E tu como estás?

Optime, gratias tibi ago. — Muito bem, muito agradecida / obrigada (literalmente: dou-te graças)

Satis bene — Bastante bem

Non ita bene —  Não muito bem.

Male —  Mal

Pessime — Pessimamente

 

Vocabulário:

quomodo (advérbio interrogativo): como ? de que modo?

ut (advérbio): como

ualeo, uales, ualere: estar bem, ter saúde

bene (advérbio); bem

male (advérbio) : mal

pessime (superlativo do adv.): muito mal

satis (advérbio): bastante

ita (adv.): assim

gratias agere : dar graças, agradecer

 

Na correspondência:

Uma carta podia começar com a expressão : si uales, bene est, ego ualeo (quer dizer, estimo a tua saúde, eu estou bem) — por vezes em iniciais apenas: s.u.b.e.e.u.

Na despedida, podia aparecer: cura ut ualeas (literalmente: esforça-te por ter saúde; cuida de ti); uale (adeus, passa bem)

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17ª lição — Documentum decimum septimum

Gramática latina

FLEXÃO VERBAL

 

Observando as formas verbais dos textos dados, já fixou as terminações que indicam a pessoa do verbo (desinências pessoais): -t (3ª pessoa do singular); -nt (3ª pessoa do plural);

Já observou, também, a terminação da 1ª pessoa do singular –o  (como em português)

Vejamos, agora a desinência das três pessoas (singular e plural):

         Singular           Plural

1ª pessoa  -o               -mus

2ª pessoa  -s               -tis

3ª pessoa  -t                -nt

 

Assim:

Presente do indicativo dos verbos temáticos : tema em –a  e tema em  -e :  ——> tema + desinência

 

Exemplo:

Tema em –a : infinitivo:  habitare   -  amare   -  laudare   - nauigare  - ambulare

Tema em –e : infinitivo: habere   —  uidere   —   delere    

 

Verbo irregular  esse : ser, estar, existir, haver —  -se (desinência de infinitivo) ; nos verbos temáticos aparece  -re ( por rotacismo, isto é, o entre vogais passou a r )

 

Presente do Indicativo:

sum : eu sou; eu estou

es : tu és, tu estás

est : ele (ela) é; está; existe; há

sumus : nós somos; nós estamos

estis : vós sois; vós estais

sunt : eles (elas) são; estão

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16ª lição — documentum decimum sextum

A Idade do Ouro

Pietro da Cortona, Idade do Ouro (1637)

Exercícios:

—    Comparando o texto latino com a tradução, encontrar as palavras e expressões que correspodem às partes sublinhadas na tradução.

—    Encontrar as palavras portuguesas que, pela sua etimologia, se relacionem com os vocábulos latinos destacados a negro.

 

 

A mitologia conta que Saturno, expulso do Olimpo pelo filho Júpiter, se refugiou em Itália, na região do Lácio (latium significa “esconderijo”) e aí ensinou aos homens as técnicas agrícolas. Essa época, a idade de Saturno, é associada à Idade do Ouro.

 

Vejamos, em texto simples inspirado em Ovídio:

 

Tam beata est uita cum non iam laboramus! Homines et discipuli otium et quietem (descanso) saepe cupiunt sed eheu! Eheu! Necesse est laborare.

Primis temporibus (nos primeiros tempos), Saturno, antiquo deo, filii nocent. Itaque Saturnus quietam uitam petit (procura) et inter homines regnat; tum nulla inuidia, nulla ira, nulla poena est. Incolae, omni cura liberi, uicinos amant et dulcem (doce) uitam agunt (levam, passam); aurea aetas est!

Atque etiam terra, sine labore, fecunda est; agricolis frumenti et cibi copiam dat. Mel de arboribus descendit et lactis flumina (rios) aut nectaris riui homines delectant.

In Brigitte Réauté, Passeport Latin, Hachette Éducation

Pela semelhança com o português, será fácil a compreensão do texto. Há palavras que pertencem a outras declinações (ainda não explicadas nas lições anteriores), mas que facilmente se compreendem.

 

Vocabulário:

beatus, beata: feliz

iam: já

saepe: muitas vezes

sed: mas

laborare : trabalhar

nocere:

quietus, quieta: calmo /a

inuidia, ae: inveja

nullus, nulla : nenhum / nenhuma

poena, ae: castigo

incola, ae: habitante

omni cura liberi : libertos de todo o cuidado

aetas : idade

copia, ae: abundância

agricola, ae: agricultor

frumentum, i : cereal

cibus, i : alimento

de arboribus : do alto das árvores

 

Para compreender o texto e traduzir:

—    analisar a frase — o verbo vem, normalmente, no fim

—    ver se o verbo está no singular ou no plural e procurar o sujeito (que também pode estar subentendido ou ser o mesmo da oração anterior)

—    se o verbo é transitivo, ver se há um acusativo na frase, o seu complemento directo

—    atentar nos outros complementos, acompanhados ou não de preposição

—    a tradução obedecerá à estrutura própria da frase em português

 

 

Etimologia:

Encontrar no texto as palavras latinas que correspondem ao étimo das seguintes palavras portuguesas:

  1. primitivo
  2. laborioso
  3. irascível
  4. quietude
  5. lacticínio
  6. frumentáceo
  7. etário

 

Do latim ao português — evolução fonética:

otium  > ócio   —>   -ti- (em posição intervocálica) passa a –ci-

delectare > deleitar  —> vocalização : a consoante c passa à vogal –i

 

História das palavras

Latim nocere : fazer mal, prejudicar

            nocens, nocentis: aquele que prejudica, prejudicial, culpado

            adjectivos da mesma raiz: nocivus/a ; português —> nocivo (prejudicial, perigoso) ; nocuus: prejudicial

                                                          in-nocuus : que não faz mal, inofensivo;—> português : inócuo

                                                          in – nocens (com o prefixo de negação) : aquele que não prejudica, que não faz  mal  —> português: inocente

15ª lição — Documentum decimum quintum

Fundação de Roma — história e lenda 

Eneias, príncipe Troiano, filho de Vénus (uma deusa) e de Anquises (um mortal), sobrevive à destruição de Tróia pelos Gregos e é encarregado pelos deuses de salvaguardar a civilização Troiana, fundando bem longe dali uma nova cidade.

Assim, na companhia do velho pai Anquises, o filho Iulo, a esposa Creúsa, que perde na escuridão, e os deuses do lar e da família, lança-se ao mar, em fuga, e, depois de vaguear errante durante longo tempo, no meio de muitas aventuras, entre as quais a chegada a Cartago, onde é acolhido e amado pela rainha Dido, chega finalmente a Itália e fixa-se no Lácio.

Aí é recebido pelo rei Latino, vindo a desposar sua filha Lavínia, e funda a cidade de Lavínio (Lauinium), assim chamada em honra da nova esposa, que arrancara às mãos de um rival, Turno, rei dos Rútulos, com quem teve de lutar.

Iulo, filho de Eneias, fundará mais tarde Alba Longa, cidade que dará origem a Roma, pois será uma descendente de Iulo, a vestal Reia Sílvia, que, grávida de Marte, dará à luz dois gémeos, Rómulo e Remo, um dos quais será o primeiro rei de Roma.

Ainda segundo a lenda, Rómulo funda Roma em 753 a.C., no monte Palatino, a cerca de 20 km. de Alba, cidade que o viu nascer.

Trezentos anos após a fundação de Alba, Amúlio, que usurpara o trono a seu irmão Númitor e não permitia que dele existissem descendentes, encerrou no templo de Vesta Reia Sílvia, não por esta poder herdar o trono de Númitor, seu pai, mas para que dela não pudessem provir filhos que reclamassem o trono de seu avô.

Grávida de Marte, Reia dá à luz os gémeos Rómulo e Remo, que mais uma vez não escapam à ira de Amúlio. Postos num cesto, foram por ele mandados lançar ao Tibre para que se afogassem. O escravo a quem coubera tal tarefa, porque o rio então transbordava, depositou-os sobre a margem e não no próprio leito do rio. Quando as águas baixaram e a corrente se tornou normal, as crianças ficaram em seco e, gemendo de fome e de frio, foram socorridas por uma loba que as amamentou, até que um pastor, Fáustulo  de seu nome, as encontrou e as levou para sua casa, onde, com a esposa Larência, as acarinhou e as criou.

Chegados à adolescência e informados da sua história, matam Amúlio, repõem no trono Númitor, e propõem-se fundar uma nova cidade, nas colinas junto ao Tibre, não muito longe do mar. Reúnem alguns companheiros e ali se estabelecem, fundando a cidade segundo os ritos de então, dos quais fazia parte, para além da invocação aos deuses e da consulta dos arúspices, que deram a vantagem a Rómulo sobre o seu irmão, o traçado de um sulco delimitando o local, sulco que ninguém podia transpor senão em pontos por ele determinados.

Remo, incauto, infringe as regras, sendo morto pelo próprio irmão, que se torna o único fundador da cidade, durante muito tempo denominada simplesmente a Urbe.

Esta é a história contada pelos escritores romanos, dos quais se destaca Tito Lívio, no século I a.C., e é a história que vigora durante séculos, até que, por finais do século XVI d.C., os investigadores se começam a interessar pela distinção entre a lenda e a verdade histórica, baseados sobretudo nas incongruências e nos anacronismos existentes nos relatos anteriores.

Contudo, só no século XVIII as investigações assumem carácter verdadeiramente científico e é durante o século XIX e sobretudo no século XX que, após descobertas arqueológicas sucessivas, muitas das quais levam à negação total da lenda, se chega à conclusão de que história e lenda não estão assim tão distanciadas, pois em meados do século VIII terá existido uma cidade murada no Palatino, no preciso local apontado como o escolhido por Rómulo.

Se a lenda se desenvolve a partir da história e dela fazem parte ingredientes comuns à fundação de muitas outras cidades da Antiguidade, seguindo uma tradição que já vinha de longe, a que se juntam elementos que a transmissão oral vai acrescentando, ou se a história procura agora na lenda o que a investigação científica permite apurar como verdadeiro, o facto é que Roma continua a ter como reconhecidas as suas origens em tempos recuados, num aglomerado populacional reduzido, humilde mas aguerrido, que à volta de uma ou de várias colinas, junto às margens do Tibre, não muito longe do mar, num lugar estratégico para se tornar uma cidade grande e próspera, se foi alargando progressivamente, até vir a tornar-se num imenso e duradoiro império, que foi berço da nossa civilização.

in  Isaltina Martins e Maria Teresa Freire, Noua Itinera, 1, Ed.ASA, 2004

 

14ª lição — documentum decimum quartum

Antecedentes de Roma

De Eneias a Rómulo  

Post Aeneam, Ascanius, Aeneae filius, in Italia diu regnat. Cum amicis et magno seruorum numero, Albam in amoeno loco condit (funda). Post Ascanium, Ascanii filius magno animo patriam regit, nec deos omittit. Ita per multos annos Aeneae familia in Italia regnat.

Tandem Proca regnat qui duos (II) filios gignit. Numitor post Procam patriae curam accipiet (receberá), nam sapientissimus est: "O fili, semper patriam in animo habe, nam Albae dominus eris (serás)."

Sed mox Amulius, malus filius, eum (o) ex patriae muris expellit, filiosque interficit. Filiam quoque, Rheam Siluiam, Vestae uouet: ita neque nubere neque filium habere debet.

Fortuna uero deum Rheae Siluiae obiicit: Rhea, in silua ambulans (caminhando), deum uidet. Deus Rheam Siluiam amat. Ita Rhea gemellos pariet (dará à luz): Romulus et Remus dei feminaeque filii sunt.

 

in Jacques Gason e Alain Lambert, Invitation au Latin, Paris, Magnard.

 


 

Sistematização gramatical

1. Flexão verbal

—    O infinitivo presente da voz activa termina em – re (como em português termina em  - r)

—    Se tirarmos a terminação do infinitivo encontramos o tema do verbo

Assim:

—    amare — tema: ama -  : verbo de tema em – a

—    habere — tema: habe - : verbo de tema em – e

—    audire — tema: audi - : verbo de tema em - i

 

Imperativo presente:

—    2ª pessoa do singular — ama  (= ao tema) ;   habe  ;  uide   ; audi

—    2ª pessoa do plural — amate (tema + -te); habete ; uidete  ; audite

 

2. Sintaxe:

— complemento circunstancial de lugar onde — exprime-se em ablativo regido da preposição in : in Italia “na Itália”

—  complemento circunstancial de companhia — cum + ablativo : cum amicis “com os amigos”

—  complemento circunstancial de tempo (indicando a duração) — per + acusativo : per multos annos “durante muitos anos”

 

3. Algumas preposições:

regem ablativo:

-       in : em

-       cum : com

-      e / ex : de (lugar donde)

regem acusativo:

-       post : depois de

-       per : por, através de

 

 

13ª lição — documentum decimum tertium

Sintetizando — gramática latina (continuação)

 

2ª declinação

—    A segunda declinação abrange os nomes de tema em – o

—    São, geralmente, masculinos

—    Com o nominativo do singular em – us ou em – er/- ir ;

—    O genitivo do singular em – i

 

Exemplos:

discipulus, discipuli : discípulo, aluno

dominus, domini : senhor

seruus, i : servo, escravo

equus, i : cavalo

puer, pueri : rapaz, menino

ager, agri : campo

magister, magistri : professor, mestre

uir, uiri : homem, varão

Nota: o vocativo é, geralmente, igual ao nominativo, com excepção dos nomes de nominativo do singular em -us, cujo vocativo do singular é em - e

 

Aplicação

 

Analisar e traduzir as frases:

1. Puer librum legit.

2. Liber pulcher est.

3. Pueri liber pulcher est.

4. Puer librum pulchrum legit.

5. Libri pulchri sunt.

6. Puerorum libri pulchri sunt.

7. Pueri libros pulchros legunt.

8. In ludo, pueri libros pulchros legunt.

9. Hodie, in ludo, pueri lusitani cum amicis romanis libros legunt.

10. Pueri  amicis romanis libros dant.

11. Magister puero librum dat.

12. Discipuli magistros audiunt.

13. Marce, fabulam recita.

 

 

 Os adjectivos declinam-se como os nomes da 1ª e 2ª declinações:

pulcher : belo, bonito

pulchra: bela, bonita

romanus / romana

lusitanus / lusitana

amicus / amica

 

12ª lição — documentum decimum secundum

Sistematizando 

Gramática latina

 

Flexão nominal

Os casos e as suas funções:

NOMINATIVO — sujeito

VOCATIVO — vocativo

GENITIVO — complemento determinativo

ACUSATIVO  — complemento directo

DATIVO — complemento indirecto

ABLATIVO — complementos circunstanciais (alguns)

 

1. Os nomes que apareceram nas lições anteriores, masculinos e femininos, integram-se em duas declinações — a 1ª e a 2ª, tema em – a e tema em – o

2. O tema encontra-se no genitivo do plural, retirando a terminação do caso. Assim:

2.1. Genitivo do plural: discipulorumretirando a terminação de genitivo – rum, fica-nos discipulo-  — dizemos, então, que a palavra é de tema em –o

2.2. Genitivo do plural: uitarumretirando a terminação de genitivo – rum, fica-nos uita-  — dizemos, então, que a palavra é de tema em –a

 

3. Declinar é dizer todos os casos de uma palavra.

4. Na primeira declinação agrupam-se as palavras de tema em – a

5. Na segunda declinação agrupam-se as palavras de tema em - o

 

Enunciamos um nome dizendo o nominativo e o genitivo do singular (como se apresenta no dicionário) e assim ficamos a saber a que declinação ele pertence.

Exemplo:

1ª declinação — tem o genitivo do singular em – ae :

uita, uitae : vida

femina, feminae: mulher

aqua, aquae : água

puella, puellae : menina, rapariga

aduena, aduenae : estrangeiro

 

ou indicando o genitivo apenas pela terminação:

 

discipula, ae : aluna

magistra, ae : professora

silua, ae : floresta

domina, ae : senhora

dea, ae : deusa

nauta, ae : marinheiro

 

 

—    Como se pode ver, nem todas as formas apresentam a vogal temática – a, porque houve evolução fonética ao juntar a desinência do caso ao tema.  

        Por isso se sublinham as terminações

—    O vocativo é, em geral, igual ao nominativo

—    A fixar especialmente: a desinência do acusativo do singular é o  - m ; do acusativo do plural é – s

—    Há casos diferentes com a mesma terminação, por isso é só no contexto, pela análise da frase, que podemos distinguir e saber em que caso a palavra se encontra

 

Exercícios de aplicação

A. Analisar e traduzir:

1. Nauta scapham habet (tem).                 [ scapha : barco ]

2. In ora scapha pulchra est.

3. Nauta scapham pulchram habet.

4. Nauta in pulchra scapha nauigat.

B. Preencher os espaços com a forma correcta:

1. Roma ........................... patria est.  [ pulchra,  saeuam, amoenae ]

2. Aduenae multas ..................... uident.[ uia , statuas, deae] ;

3. In ora nautae.............................  . [ est, nauigat , dormiunt ]

4. Nautae lupam in ................... uident. [ uiae, siluas, oram, silua ]

11ª lição — documentum decimum primum

Provérbios e sentenças:

  1. Scientia potentia est
  2. Fortuna caeca est.
  3. Fama uolat.
  4. Historia magistra uitae [est].
  5. Bestia bestiam nouit.
  6. Barba non facit philosophum.
  7. Amicus certus in re incerta cernitur.
  8. Natura uincit naturam, et dii deos.

 

Analisando as frases:

  A. Frases 1, 2 e 3 — frases simples; todas as palavras estão no nominativo

      Frase 1 e 2 — constituídas por sujeito e predicativo do sujeito

      Frase 3 — sujeito + verbo intransitivo

  B. Frase 4: ainda com verbo copulativo, que pode estar subentendido; o predicativo do sujeito vem acompanhado de um complemento determinativo —   uitae — que corresponde ao genitivo

  C. Frase 5 — sujeito (bestia) + verbo transitivo acompanhado do seu complemento directo (bestiam); os mesmos constituintes na frase 6

  D. Frase 7 — sujeito, constituído por nome + adjectivo (amicus certus) + verbo numa forma passiva + complemento preposicional  — preposição a reger ablativo (in re incerta)

  E. Frase 8 — constituída por duas orações, na segunda subentende-se o mesmo verbo da primeira — natura uincit naturam  + dii [uincunt] deos ; em ambas temos: sujeito + predicado (verbo transitivo + complemento directo)

 

Tradução:

  1. O conhecimento é poder.
  2. A fortuna (sorte) é cega.
  3. A fama voa.
  4. A história é mestra da vida.
  5. O animal conhece o animal.
  6. A barba não faz o filósofo.
  7. O amigo certo conhece-se no momento incerto.
  8. A natureza vence a natureza, os deuses [vencem] os deuses.

 

Recapitulando e sintetizando alguns CASOS:

  

Do latim ao português:

—    O acusativo é chamado o caso etimológico — é do acusativo que deriva a maior parte das palavras portuguesas — do acusativo do singular, com a queda do  - m final

—    Comparando estes dois nomes, vemos que o acusativo do plural nos lembra a formação do plural em português, acrescentando um – s

 

Como fortuna, temos:

-       aqua: água

-       dea : deusa

-       discipula: discípula, aluna

-       domina: senhora

-       familia: família

-       magistra: mestra, professora

-       natura: natureza

-       puella: menina, rapariga

-       scientia: ciência, conhecimento

-       uita: vida

etc.

 

Como philosophus temos:

-       deus: deus

-       discipulus: aluno

-       dominus : senhor

-       filius: filho

-       Lusitanus: lusitano, português

-       Romanus: romano

etc.

10ª lição — documentum decimum

15 de Março

Nos Idos de Março do ano 44 a.C. Júlio César foi assassinado no Senado.

 

O Mês romano tinha três datas importantes:

As Calendas (Kalendae) — o 1º dia do mês. A palavra deriva do verbo calo (chamar): o pontifex, no 1º dia do mês convocava o povo indicando os dias fastos e nefastos.

As Nonas (Nonae): o nome deriva de nundinae (nove dias), nove dias antes dos Idos. Eram no dia 7 nos meses de 31 dias e no dia 5 nos restantes.

Os Idos (Idus): nome de origem etrusca que significa dia separador. Eram no dia 15 nos meses de 31 dias, e no dia 13 nos meses restantes.

Ou seja:

—    Março, Maio, Julho e Outubro : Nonas — dia 7;  Idos —  dia 15

 

veni, vidi, vici  / ueni, uidi, uici

 

Palavras de César depois de vencer Farnaces, rei do Ponto, e seu filho Mitridates

 

Três formas verbais: 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do modo indicativo, voz activa : cheguei, vi, venci

 

Morte de César — Quadro do pintor italiano Vincenzo Camuccini (1798)

9ª lição — Documentum nonum

Segundo a tradição, Eneias, o herói troiano, é o mais longínquo antepassado de Roma.

Assim nos diz Virgílio:

Roma

As origens troianas

 

Arma uirumque cano, Troiae qui primus ab oris

Italiam fato profugus Lauiniaque uenit

Litora, multum ille et terris iactatus et alto

Vi Superum, saeuae memorem Iunonis ob  iram,

Multa quoque et bello passus, dum conderet urbem

Inferretque deos Latio, genus unde Latinum

Albanique patres atque altae  moenia Romae.

                          Virgílio, Eneida, I, 1-7.

Canto as armas e o varão, o primeiro que, das plagas troianas           

perseguido pelo destino, aportou à Itália e às praias de Lavínio

tão acossado em terra e mar pelo poder

dos deuses das alturas, devido à ira desperta de  Juno cruel,

e sofreu também muito na guerra, até fundar a cidade

e trazer os deuses para o Lácio. Daí vem a raça latina,

os nossos pais Albanos e da alta Roma as muralhas.

                       (trad. de Maria Helena da Rocha Pereira )

 

 

 

Vejamos em texto mais simples:

Dea irata est nam troianos non amat. Poeta saeuam fabulam narrat. Procella asperrima est et nautae defessi sunt. Sed nautae troiani semper nauigant et tandem in Italia sunt. Ora italica amoena est. Ibi nautae quiescunt. Terram italicam uident. Tunc siluas uicinas petunt. Terra pulchra est et amoena. Nautae aquam limpidam inueniunt.

 

Vocabulário:

ora : praia ;  litoral

nauta : marinheiro

silua : bosque

quiescunt : descansam

petunt : procuram

inueniunt : encontram

saeua : cruel ; terrível

asperrima : muito dura

defessi : cansados ;  

defessa : cansada

amoena : amena ; agradável

 

tandem : finalmente

tunc : então

nam : pois; na verdade

ibi : aí

 

 

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